30 maio 2006

Jornalismo sensacionalista


A violação dos direitos das pessoas


O jornalismo sensacionalista “joga” particularmente com os sentimentos. Exagera os factos, deturpando a realidade. Muitas vezes acabam mesmo por enganar o espectador a que se dirigem, através da forma de apresentação dos factos.

O jornalismo vive das audiências e, sabendo que as pessoas têm o seu sentimentalismo “à flor da pele”, aproveitam-se disso. O mais importante são os lucros obtidos, o que muitas vezes leva a extremos. Faz-se de tudo para conseguir alcançar esse fim: audiências e lucros.

No meu entender, como forma de travar o jornalismo sensacionalista, o ser humano deve agir de acordo com a razão e não a emotividade. Deve reflectir sobre os assuntos e não acreditar em toda a informação que lhe é transmitida. Mas é muito difícil, se não impossível, travar o progresso do jornalismo sensacionalista.

O jornalista sensacionalista oferece não aquilo em que acredita, mas o que o espectador quer receber.

O Poder dos blogues


Os blogues têm grande Poder nos dias que correm. Estes são usados como instrumento de expressão e de participação cívica na sociedade.

Os cidadãos, apartir dos blogues podem participar mais facilmente no meio em que se inserem. Têm total liberdade para o fazerem. Obviamente que esta situação trará consequências, nem sempre favoráveis.

Muitas vezes os blogues não têm “rosto”: são “alimentados” por anónimos que querem dar o seu parecer, sem se prejudicarem.

Os blogues são considerados como quinto poder: é um poder que todos os cidadãos têm. Temos poder de crítica, embora seja perigoso. É um poder individual e incontrolável. Por outro lado, podem até descredibilizar o mundo informativo.

Muitos são também os jornalistas que têm blogues. Acaba por ser pessoal, e não terá de ir ao encontro daquilo que os seus superiores acham, mas sim aquilo que ele próprio defende.

Como sabemos, o jornalismo não só deve informar como também formar. A meu ver pode-se considerar este quinto poder como forma jornalística. Acabam mesmo por se dar a conhecer determinadas notícias, tal como noutros meios de comunicação.

05 abril 2006

Homenagem a Mário Viegas


Dez anos após a sua morte, o actor Mário Viegas foi homenageado, em Santarém, no passado dia 1 de Abril. Esta foi uma iniciativa do Centro Cultural e Regional de Santarém e do jornal O Público.

Deu-se o lançamento nacional da colecção “Mário Viegas – Discografia Completa”, uma edição de 12 livros e CD de poesia, escritos por José Niza, com design gráfico de José Santa-Bárbara. Na apresentação esteve Júlio Isidro, Nuno Teixeira, Manuel Freire, Jorge Leitão Ramos e Francisco Moita Flores.

Mário Viegas começou a ser conhecido como declamador, tendo gravado diversos discos. Iniciou-se no cinema em 1975, fazendo também rádio e televisão. Foi um dos elementos fundadores dos grupos “Barraca” e “Novo Grupo”. Participou em diversos filmes, entre eles “Kilas”, “O mau da fita” (1980), “Sem Sombra de Pecado” (1982), “Repórter X” (1985) e “A Mulher do Próximo” (1988).

11 março 2006

Jornalismo como contra-poder


No mundo jornalístico não se pode esquecer que o contra-poder deve existir. Sem dúvida que os media têm um grande poder na sociedade. São eles que regem grande parte da sociedade em que vivemos. Se pessoas agem de acordo com o que os media lhes transmite, há que fazer alguma coisa e não as induzir em erro.

Há que relembrar que os meios de comunicação são poderosos instrumentos de manipulação. Estes tornam-se formadores de opinião, comportamentos, hábitos e atitudes.

Por isso, o jornalista deve denunciar aquilo que não é verdadeiro, aquilo que é alterado pela manipulação que muitas vezes acontece. Aliás, por essa razão existe o Código Deontológico do Jornalista que deve ser seguido, e não “atropelado”.

A sociedade toma como verdadeiro aquilo que lhes é transmitido pelos mass media, por isso o jornalismo que se faz deve ser verdadeiro. Deve-se transmitir aquilo que realmente é, e não aquilo que convém que seja.

Jornalismo cívico


O Jornalismo deve fornecer a informação às pessoas para que estas possam cumprir os seus papéis como cidadãos. Por outro lado, há que proteger a sociedade contra os abusos de poder. Obviamente que se a informação transmitida for a verdadeira, há a alerta por parte de quem a recebe.

O jornalismo cívico dá a possibilidade ao público de intervir: deve existir tempo para ouvir as pessoas. A sociedade é constituída, em primeiro lugar, por cidadãos e só depois deve-se pensar que são consumidores. Ou seja, há que ter em conta que a informação transmitida deve ser verdadeira porque, acima de tudo, há a necessidade de se saber o que realmente acontece no mundo em que vivemos.

Nem sempre é o que se passa: pensam é na palavra “consumo”: as pessoas devem consumir aquilo que interessa para os media, a informação que dá lucros, que dá audiência.

Acima de tudo, o jornalismo cívico deve ser feito com base na cidadania. Que seja o leitor a decidir, ele que chegue às conclusões que entender. Deve-se, por isso, dar voz ao cidadão. Se faz parte da sociedade, porque não dar a sua palavra? Deve ter o poder da intervenção e da decisão.

10 fevereiro 2006

Feitiços e feiticeiros


Já nada me surpreende! Onde pensava que tudo já tinha acontecido, eis que surge algo impensável.

O clube de 1ª divisão, Vitória de Guimarães, até ao bruxo já recorre pelos maus resultados nos jogos. Este, conhecido como o “bruxo de Fafe”, andou cerca de 25 km a pé desde o estádio do clube vimaranense até ao Santuário de Sameiro.

No seu percurso levava companhia, carregando-os às costas. Com uma cruz, revestida com as fotografias dos jogadores deste clube, seguiu o seu caminho. Com certeza que estes até agradecem: já que têm de aturar os treinos diários, foram passear e nem foi preciso gastarem sola dos sapatos porque foram carregados. Mas tanta gente...nem sei como o Sr. Bruxo aguentou!

Esta peregrinação deve-se aos maus resultados do Vitória. Segundo ele, existem forças malignas nos jogos. Parece que é por isso que os golos nem surgem. Mas quem desvia a baliza quando eles rematam? Só mesmo essa “força”. Quantas “forças” serão precisas para conseguirem carregar com a baliza? Mas claro, elas no intervalo do jogo têm de correr para a outra baliza do estádio, já que o guarda-redes troca de meio-campo.

A “força” maligna de que tanto se fala terá outro árduo trabalho: empurrar este clube do norte para as primeiras posições da tabela da Liga. Só assim o esforço do bruxo será recompensado.

Cultura em rede


Certos municípios da região de Lisboa e Vale do Tejo estão integrados no projecto da Artemrede. A Artemrede é a maior rede de teatros do país, abrangendo os distritos de Santarém, Lisboa, Leiria e Setúbal. Inclui os municípios de Abrantes, Alcanena, Alcobaça, Almada, Almeirim, Barreiro, Cartaxo, Entroncamento, Moita, Montijo, Nazaré, Palmela, Santarém, Sintra, Sobral de Monte Agraço, Torres Novas e Torres Vedras.

Este projecto tem como objectivo: dar apoios comunitários que permitam a recuperação dos Cine-Teatros da região, garantindo a programação de espectáculos; troca de experiências e uma promoção conjunta.

Parece que o único município descontente de pertencer a este projecto é o de Torres Novas. Segundo o presidente da Câmara Municipal, António Rodrigues, o município de Torres Novas é capaz de assegurar sozinho uma programação de qualidade. Obviamente que os espectáculos são sempre seleccionados tendo em conta o público a que se dirigem, mas isso não é proibido pela Artemrede.

Ao sair da rede de teatros será que Torres Novas vai ter surpresas? Se o povo português não tem hábito de ir ao teatro, há que ter uma boa programação de espectáculos que atraia o povo.

Nos tempos de crise em que vivemos, um dos factores que se deve ter em conta será o preço dos bilhetes. Se a Artemrede ajuda a esse nível, com bilhetes mais baratos, porquê recusar? Conseguirá a Câmara abarcar todos os gastos? Veremos o que acontecerá...

23 janeiro 2006

Discurso interrompido


Segundo o porta-voz do PS, o discurso de Manuel Alegre na noite das eleições “foi interrompido involuntariamente” por Sócrates. Afirma que o primeiro-ministro desconhecia que o candidato a Belém estava a falar nesse momento. Pergunto-me se corresponde à verdade, mas quem sou eu para duvidar...

É muito estranho José Sócrates não saber que estava a decorrer o discurso de Alegre, já que é perfeitamente normal isto acontecer numa noite de eleições. Mas, caso tivesse dúvidas, sempre podia recorrer aos meios de comunicação...

No rescaldo das presidenciais acontecem sempre os “famosos” discursos, tanto de quem vence como dos que saem derrotados. Era, então, de prever que a noite estava destinada aos discursos de todos os candidatos. Por isso, porque é que Sócrates não discursou noutra altura? Esta era uma noite destinada unicamente aos candidatos. Por respeito a eles, pelo menos esta noite...

03 janeiro 2006

Existe democracia?


De conhecimento público existem os “famosos” candidatos à presidência da República, em que daí surgiram debates, como os casos de Cavaco Silva, Francisco Louçã, Mário Soares, Jerónimo de Sousa e Manuel Alegre. O que ninguém sabia era da existência de outro candidato a Belém: Garcia Pereira. Este é um candidato apoiado pelo Partido Comunista dos Trabalhadores Portugueses/ Movimento Reorganizativo do Proletariado (PCTP/MRPP).

Será justa esta desigualdade que se faz sentir perante este candidato? Se realmente existe a democracia, na minha opinião, penso que se deve dar voz a todos os candidatos. Acima de tudo, é o futuro do nosso país que está em jogo. Não é correcto que só os candidatos “comuns” sejam merecedores de conhecimento público. Em primeiro lugar é importantíssimo a sociedade portuguesa conhecer todos os candidatos e, só depois, é que será possível eleger o candidato que melhor se adequa à situação em que se encontra o país.

Segundo Garcia Pereira, deverá existir “igualdade de tratamento pela comunicação social”, visto ter sido discriminado pelos media. Garante que apresentou a sua candidatura a 12 de Outubro, na Casa do Alentejo, em Lisboa. Acaba mesmo por referir que dois canais televisivos (TVI e SIC) “omitiram por completo a cobertura do acontecimento” enquanto que a RTP “elaborou uma peça tão microscópica quanto manipuladora”.

Sem sombra de dúvidas que a Justiça é um pilar muito importante na Democracia e, por isso, é de questionar esta situação que aconteceu. Em pleno século XXI, como é possível acontecer um caso como este? Será justo omitirem-se as verdades? Se não aparece este pilar, como é possível a Democracia existir? Tudo se desmorona se realmente não existirem as bases que sejam consistentes.

28 dezembro 2005

Filme "O Informador", de Michael Mann


O filme “O Informador”, realizado por Michael Mann em 1999, é um bom retrato de como é realmente o mundo jornalístico. Aliás, é uma história baseada em factos reais passados nos EUA.

O tema em destaque deste filme é a denúncia a uma indústria tabaqueira que utiliza produtos para a dependência dos consumidores pela nicotina. Perante esta realidade, um ex-cientista da companhia de cigarros Brown & Williamson – Jeffrey Wigand (interpretado por Russell Crowe) – decide entrar em contacto com produtores do programa televisivo “60 Minutes”, divulgando a verdade. O que se pretende acima de tudo é que a população tenha acesso à verdade. Wigand é despedido e decide dizer tudo o que sabia. O filme retrata as perigosas relações entre jornalistas e as suas fontes.

Assim como a denúncia é aqui bem explícita, também a revelação dos bastidores do canal de televisão CBS é um ponto forte no filme de Mann. A revelação feita contra “o sistema” acaba por ser abafada por essa mesma força, mostrando como é difícil lutar contra ela.

No “Informador” deparamo-nos com a descrição do poderoso mundo dos media, onde as manipulações da informação são provavelmente muito maiores do que aquilo que pensamos. É um filme bastante actual, não esquecendo, obviamente, os grandes interesses financeiros que existem por detrás.

Por outro lado, também neste filme existe um jornalismo de conivência. Este é interpretado por Al Pacino (Lowell Bergman), um produtor do CBS. É ele que tem a responsabilidade do programa.

Também o conceito de William Borroughs – cut up – se aplica neste filme. Esta técnica tem como finalidade fazer “cortes” da informação, transmitindo a ilusão de realidade. Assim, o produto final é só aquilo que se pretende que se saiba e não a verdade. Por outro lado, posso salientar o Gatekeeper, que realiza a selecção dos acontecimentos considerados jornalisticamente mais interessantes. Determinadas notícias são tratadas com maior importância, outras de forma supérflua e outras são ignoradas, isto é, baseia-se na investigação dos acontecimentos que mais impacto têm na sociedade.